sábado, 30 de abril de 2011

Dia da Baixada Fluminense - 30 de abril

Apresentação

A Baixada Fluminense possui um vasto patrimônio de valores naturais, culturais, históricos, econômicos, humanos e sociais e nos dias atuais vem enfretando o imenso desafio de superar as suas dificuldades e limitações e converter-se não apenas numa região materialmente rica, mas sobretudo numa região na qual prevaleçam a justiça social, a igualdade humana com oportunidades para todos e a melhoria da qualidade de vida para toda a população.

A intenção de se comemorar o Dia da Baixada Fluminense é a de celebrar os valores da região e discutir os problemas atuais, com a participação consciente de toda a sociedade.

O Dia da Baixada Fluminense visa, em última análise, estimular o crescimento da auto-estima da população da região.

Por que 30 de abril?

A idéia de se instituir o Dia da Baixada Fluminense, surgiu e foi aprovada no dia 09/12/2000 em encontro da Comunidade Cultural da Baixada, realizado na Faculdade de Educação da Baixada Fluminense, da UERJ, FEBF/UERJ.

A data de 30 de abril refere-se à inauguração da primeira Estrada de Ferro construída no Brasil, em 1854, que ligava o Porto de Mauá (Estação Guia de Pacobaíba) à região de Fragoso, no pé da Serra de Petrópolis.


PRIMEIRA ESTRADA DE FERRO DO BRASIL INAUGURADA EM 30 DE ABRIL 1854.
ESTAÇÃO GUIA DE PACOBAÍBA - MAGÉ.

A partir daí foram construídas outras ferrovias na região e a Estrada de Ferro tornou-se um marco histórico da ocupação urbana, dando novo perfil à ocupação do solo. Foi o começo do fim dos portos fluviais de navegação pelos rios e dos caminhos de tropeiros e o início do processo de surgimento de vilas e povoados que se organizaram em torno das estações ferroviárias, origem das atuais cidades da Baixada Fluminense.

Programação

A Programação que se propõe para o Dia da Baixada Fluminense deverá estender-se por todos os municípios da região, por iniciativa tanto dos órgãos públicos quanto de toda e qualquer organização, principalmente aquelas que se dedicam às questões coletivas, sociais e culturais. Por esta razão sugerimos que cada organização elabore a sua programação para oDia 30de abril, ou datas próximas, da seguinte maneira:

1) Por todas as igrejas, de qualquer credo ou confissão, com um culto/missa/evento especial de ação de graças e invocação de bênçãos para a região.

2) Em todas as escolas da região, de todos os níveis, se possível em cada sala de aula;

3) Por todas as associações de moradores;

4) Por todas as organizações governamentais, ONGs, sejam elas municipais, estaduais ou federais;

5) Pelas câmaras de vereadores e pelas academias de letras e artes de todos os municípios;

6) Por grupos culturais, artísticos e recreativos.

Sugerimos que a comemoração conste, pelo menos, da seguinte programação básica:

1º. Breve exposição sobre a importância histórica da Baixada;

2º. Destacar os valores naturais, ecológicos, sociais e humanos, sua importância política e econômica e a responsabilidade que cada baixadense tem com o desenvolvimento humano, social e moral de sua região;

3º. Abrir debate sobre os problemas do cotidiano da região, visando a melhoria da qualidade de vida na Baixada Fluminense.

Lei de Criação do Dia da Baixada

LEI Nº 3.822, de 02/05/2002

CONSIDERA A DATA DE 30 DE ABRIL, DIA DA BAIXADA FLUMINENSE

Art. 1º. Fica a data de 30 de abril considerada DIA DA BAIXADA FLUMINENSE.

Art. 2º. O DIA DA BAIXADA FLUMINENSE será comemorado obrigatoriamente em todas as escolas da rede estadual de ensino público e em todas as repartições públicas estaduais localizadas na região.

Art. 3º. Esta Lei entrará em vigor na data da sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Publicada no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro em 02 de maio de 2002.


sexta-feira, 29 de abril de 2011

3º distrito ganha programa de coleta seletiva





Catadores de lixo e estudantes participaram da reunião sobre coleta seletiva



Como parte da Política Municipal de Coleta Seletiva, a Secretaria de Meio Ambiente, Agricultura e Abastecimento de Duque de Caxias lançou em Santa Cruz da Serra na manhã desta sexta-feira, 29 de abril, o programa de coleta seletiva no terceiro Distrito. A reunião com autoridades, representantes dos catadores, lideranças comunitárias da região e estudantes, aconteceu na Escola Estadual Padre Anchieta, em Santa Cruz da Serra, bairro da região. Para ajudar os catadores a secretaria está elaborando um projeto para conseguir recursos não reembolsáveis junto ao BNDS (Banco Nacional de Desenvolvimento Social), para construção de galpões e compra de equipamentos.



A Associação dos Catadores da População de Rua e a Cooperativa de Catadores vão se reunir com a direção das escolas públicas e privadas da região para definir estratégias para estimular o envolvimento dos moradores no programa. Ficou acertado que o lixo extraordinário (lixo limpo que pode ser reciclável) será recolhido nas residências às terças-feiras, em data fora da coleta regular de lixo no terceiro distrito, que acontece as segundas, quartas e sextas-feiras. O projeto piloto começou no primeiro distrito em 2009, no bairro Olavo Bilac, e hoje atende a quatro bairros daquela região. Implantada em 2009 a coleta seletiva é feita hoje em bairros do primeiro e quarto distritos. Em breve também chegará a Campos Elíseos, no segundo distrito.





José Djalma, da Cooperativa de Catadores, fala sobre a criação de ecopontos

A cooperativa de catadores, que tem galpão de reciclagem no Parque Eldorado, pretende criar ecopontos nos bairros e sub-bairros da região de Santa Cruz da Serra. O material estocado pelos catadores nestes locais será encaminhado para reciclagem uma vez por semana – ou quantas forem necessárias, se a quantidade recolhida for muito grande – no galpão do Parque Eldorado. A reunião contou com a presença de Francisco Correa, gerente de um supermercado que será inaugurado em breve em Santa Cruz da Serra. Ele afirmou que pretende doar todo lixo extraordinário de seu local de trabalho para os catadores.



O secretário de Meio Ambiente, Samuel Maia, falou da política Municipal de Coleta Seletiva implantada pelo prefeito José Camilo Zito e dos recursos do BNDS para ajudar os catadores, principalmente os do bairro Jardim Gramacho, que sobrevivem do aterro da Comlurb que será desativado no início do ano que vem. Falou também dos avanços nessa área, preocupação constante do prefeito, que instituiu também a coleta seletiva em todos os órgãos públicos municipais.





Samuel Maia fala dos recursos do BNDES para ajudar os catadores de Recicláveis



Samuel disse que o governo está comprando caminhões para ajudar as cooperativas e que está incluindo os recicladores no programa Minha Casa minha Vida. Das unidades habitacionais construídas pelo programa em Caxias, 5% seriam para catadores cooperativados do município. “Estou satisfeito de encontrar estudantes nesta reunião. Eles serão peças fundamentais para que o processo avance. Além de evitar a poluição do meio ambiente eles estarão colaborando com suas comunidades e proporcionando a geração de renda para muitas famílias”, disse Samuel Maia.



A reunião para o lançamento da coleta seletiva no terceiro distrito contou com a participação de representantes do INEA (Instituto Estadual do Ambiente), do Rotary Clube, professores das redes municipal e estadual de ensino, do Conselho Municipal de Meio Ambiente, do Instituto Natividade, do Centro Comunitário de Defesa da Cidadania e da Locanty, empresa responsável pela coleta de lixo na região e que cederá caminhões para o transporte do material reciclável.





Nilmar Magalhães representou o Inea na reunião em Campos Elíseos









Texto: Paulo Gomes



Fotos: Everton Barsan




3º distrito debate coleta seletiva


A localidade de Santa Cruz da Serra, no terceiro Distrito do Município de Duque de Caxias, terá, em breve, o sistema de Coletiva Seletiva do lixo.



Foto: Reprodução


Uma reunião para discutir a implantação do serviço com representantes da comunidade foi convocada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Agricultura e Abastecimento para a próxima sexta-feira (29/4), às 10h, na Escola Estadual Padre Anchieta (Avenida Automóvel Clube, s/n).


Foram convidados representantes das escolas públicas e privadas da região, gestores municipais, ONGs, empresários, lideranças comunitárias e religiosas, clubes esportivos e unidades de saúde. O encontro é aguardado com grande ansiedade pela população, que sonha em resolver o problema ambiental causado pelo lixo.


Dentro da Política Nacional de Resíduos Sólidos, implantada em 2010, Duque de Caxias foi o primeiro município do Estado do Rio de Janeiro a implantar o sistema de coleta seletiva nos bairros, através do projeto Coleta Seletiva Solidária.


quinta-feira, 28 de abril de 2011

Opinião: A função ambiental das reservas legais

Entre tantas medidas mitigadoras do aquecimento global, uma se apresenta promissora, se bem trabalhada. Trata-se da utilização de um instrumento antigo de preservação ambiental criado pelo Código Florestal: a reserva legal.



Com o agravamento do efeito estufa e a expansão do projeto brasileiro de produção do etanol e biodiesel, a reserva legal se apresenta como uma excelente opção para preservação da biodiversidade e como compensação ambiental pela grande expansão prevista das monoculturas da cana-de-açúcar, da soja e até do eucalipto.

Outra função imprescindível da reserva legal é realizar o seqüestro do carbono, ou seja, retirar o excesso de CO2 e outros gases emitidos, principalmente pelos países desenvolvidos devido à queima dos combustíveis fósseis não renováveis.

Para uma melhor visualização do imenso potencial de estabilização do clima mundial, vamos mostrar a sua expressão territorial. Na Região Norte, a reserva legal foi fixada em 80% da área das propriedades rurais (Lei 4.771/65, Art. 16, I). Se o Código Florestal fosse cumprido, o desmatamento não teria alcançado o índice alarmante de 16% da Floresta Amazônica.

Para a reversão deste quadro, seria necessário fazer reflorestar as áreas já desmatadas e que estão sendo utilizadas para pastagens, lavoura de soja ou simplesmente abandonadas. Este gigantesco plantio seria feito com árvores nativas, o que propiciaria a recomposição da floresta e seria permitida a exploração sustentável, e ainda serviria com escudo contra o desmatamento do restante da maior e mais importante floresta tropical do mundo.

Se o Brasil fixar a meta de reflorestar metade da área já desmatada, estará dando uma contribuição imensa para a redução do aquecimento global e terá direito a ser ressarcido financeiramente pelo montante do CO2 retido pela massa vegetal incorporada pela nova vegetação.

O instrumento para fazer face à esta despesa foi criado pelo Protocolo de Kyoto. Este acordo permite a transferência de recursos pelos países industrializados a países em desenvolvimento como o Brasil, a título de compensação por suas emissões gasosas.

O que aqui foi dito para a Região Norte vale para as demais regiões brasileiras, embora a reserva legal seja limitada a 20% ou 30%, dependente da região (Lei 4.771/65, Art. 16, II, III, IV).

Da mesma forma, se a comunidade se mobilizar para implantar metade destas reservas, o que representaria mais de 10% de todo o território nacional (exceto a Região Norte), e praticamente dobraria as áreas existentes atualmente em vegetação natural.

Cabe à sociedade, representada pelos seus cidadãos, entidades ambientalistas e de outra natureza intervirem junto ao poder público representado pelo Ministério Público, Ministério do Meio Ambiente, Agricultura, Congresso Nacional, Poder Executivo para viabilizar um projeto de tal envergadura.

Se considerarmos o conjunto de todas as reservas legais, áreas de preservação permanente (APP – também instituídas pelo Código Florestal), terras indígenas, acrescido das florestas particulares e públicas e da infinidade de parques do IBAMA, verificaremos que o Brasil possui um fabuloso patrimônio natural de valor incalculável que deverá ser preservado a todo custo para o nosso bem e de toda a humanidade.



Texto: Ioelson Pinheiro Cangussu (engenheiro agrônomo e ecologista)

Extraído de http://www.agrisustentavel.com/artigos/reserva.html

quarta-feira, 27 de abril de 2011

APPs são desmatadas para dar lugar à produção agrícola

Assista à reportagem exibida no "Jornal Nacional" em 26 de abril de 2011 sobre mudanças no atual Código Florestal e a importância das Áreas de Proteção Permanente (APPs), como topos e encostas de morros.




terça-feira, 26 de abril de 2011

Zito se reúne com trabalhadores rurais para discutir melhorias

Prefeito Zito fala aos produtores rurais


Trabalhadores da região rural de Duque de Caxias se reuniram na manhã desta segunda-feira, 25 de abril, com o prefeito José Camilo Zito em um sítio na comunidade do Tabuleiro, em Xerém. Na pauta do encontro, reivindicações de melhorias na região para beneficiar as comunidades de plantadores e seus familiares. Entre as reivindicações feitas está a melhora das estradas vicinais para escoamento da produção local e entrada de compradores, além de melhorias no transporte, saúde e educação. Do encontro participaram membros do Conselho Municipal de Política Agricola e Desenvolvimento Rural (COMPADER) e mais de 100 produtores e moradores da área rural.

As comunidades de Piranema e do assentamento Terra Prometida solicitaram a criação do território rural do município para evitar a especulação imobiliária na região. Com isso os moradores terão direito a endereço, Código de Endereçamento Postal (CEP) e energia elétrica. Entre as reivindicações constou ainda a criação da Feira do Agricultor para venda de produtos baratos para população.

Zito ouviu todos os pedidos e disse que eles serão discutidos com seus secretários para que possam ser realizados. Uma das medidas a serem tomadas logo de início será uma reunião com os donos dos areais da região. O prefeito disse que eles terão que a recuperar as estradas por onde circulam caminhões pesados que vão a estes areais. Se for necessário, enquanto as vias forem recuperadas as mineradoras poderão ficar fechadas.

O encontro do prefeito Zito e do secretário municipal de Meio Ambiente, Agricultura e Abastecimento, Samuel Maia, para discutir esse assunto deve acontecer dentro de 15 dias. Pelo convênio com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio de Janeiro (Emater-Rio), uma patrulha mecanizada da empresa deve atuar em breve na recuperação de cerca de 70 quilômetros de estradas vicinais da região.

Da reunião participaram os secretários municipais de Obras e Urbanismo, Waldir Zito, e de Educação, Roseli Duarte, além de diretores das escolas da região rural, professores, membros do Departamento de Segurança Alimentar (Desans) e lideranças religiosas.


Texto: Paulo Gomes/SMCE
Fotos: Paulo Martins/SMCE

sábado, 23 de abril de 2011

BNDES vai abrir linha de financiamento para catadores de Duque de Caxias

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pode conceder ainda este ano, um apoio financeiro até R$ 5 milhões para projetos com catadores de material reciclável do município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O banco e a prefeitura negociam o financiamento para projetos de geração de renda.

Samuel Maia

Samuel Maia / Foto: Reprodução - O Dia

Após reunião hoje (20), na sede do BNDES, no Rio, o secretário de Meio Ambiente do município, Samuel Maia, disse que encaminhará, em um mês, um projeto com alternativas de qualificação profissional e trabalho para os catadores. O documento incluirá a ampliação da coleta seletiva de lixo em Duque de Caxias, onde são geradas 1,2 mil toneladas de lixo por dia.

“A nossa meta é dar inclusão social para os catadores, fazendo com que possam se tornar, no futuro, gestores da cadeia produtiva da reciclagem, com mais renda”, afirmou o secretário. No município, 20% dos trabalhadores são catadores de material reciclável. A maioria está na profissão por falta de outras oportunidades de emprego, segundo a levantamento da prefeitura.

O projeto de Caxias será avaliado pelo BNDES e, “no melhor cenário, pode ser aprovado três meses após a entrega do documento”, disse o gerente do Departamento de Economia Solidária da instituição, Eduardo Lins de Carvalho. Será considerado para financiamento não reembolsável, principalmente, a quantidade de material reciclável obtido a partir da coleta seletiva.

“Se eu tenho um volume tal, isso significa que vou precisar de apenas uma central de triagem e 20 catadores. Se a quantidade for maior, vou precisar de mais material, mais gente, mais qualificação”, explicou Carvalho. Segundo ele, o montante do financiamento pode chegar a R$ 5 milhões, mas como o município tem cerca de 800 mil habitantes, o financiamento tende a ser menor.

A prefeitura de Duque de Caxias vai investir em geração de renda para atender os 2,5 mil catadores que devem ter o trabalho diminuído com o fechamento do lixão de Jardim Gramacho. O local recebe o lixo da cidade do Rio de Janeiro, mas sobrecarregado, será desativado em 2012. Parte do lixo carioca, já começou a ser levado para um aterro no município de Seropédica, também na Baixada Fluminense.

A parceria da prefeitura com BNDES prevê uma contrapartida de pelo menos 50%, que pretende levantar o dinheiro também por meio do Fundo de Capacitação dos Catadores, criado como forma de compensar os impactos provocados pelo lixão.

Os recursos do fundo deveriam ser depositados pela administradora do aterro após o fechamento do mesmo. Mas para antecipar o uso do dinheiro, o secretário Samuel Maia negocia com a Câmara de Vereadores uma medida jurídica. Ele também cobra um aporte da Secretaria Estadual do Ambiente.

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Ter uma “fazenda” no quintal de casa é possível

Produzir o próprio alimento torna-se cada vez mais comum. Em meio ao caos da cidade grande, muitos encaram essa tarefa a sério

Verônica Mambrini, iG São Paulo | 06/04/2011 08:30

Há seis anos, o professor Luciano Legaspe não compra mais ovos ou leite. E zerou seu lixo orgânico. Nem sequer um talo de alface é recolhido pela coleta de lixo de Cotia, cidade onde mora, a 30 quilômetros de São Paulo. “Quando morávamos em apartamento, já separávamos a matéria orgânica para trazer para a chácara, nos fins de semana. Fui comprando os animais de pouquinho e a matéria orgânica era consumida por eles. O que eles não comiam virava adubo.” Vieram galinhas, coelhos, uma vaca, uma cabra, uma horta e o pomar. E o professor e sua família mudaram de vez para a chácara.

Como a criação cresceu muito, ele comprou um sítio, mas mantém uma pequena criação em casa. “A cabra e a vaca ficaram com a gente pelo menos uns cinco anos. Nunca tive problema com os vizinhos”, afirma. “Claro, a família precisa curtir; se sua esposa acha um absurdo, vira um problema.” O filho do casal, de sete anos, acompanha tudo e ajuda a cuidar da criação. A esposa de Luciano se encarrega de transformar o leite em diversos tipos de queijo, manteiga e chantilly. A vaca e a cabra rendem cerca de 15 litros de leite por dia, no pico da produtividade. “Muito mais do que a nossa necessidade”, afirma Luciano.

Para ter uma boa produção de ovos - que supra as necessidades de uma família de até quatro pessoas - ele afirma que bastam meia dúzia de galinhas e os restos orgânicos frescos da alimentação. “Com a sobra vegetal de uma família, você nunca terá que comprar ração. Dá para criar os animais tranquilamente. Uma galinha come no máximo 200 gramas por dia.”

De quebra, com a alimentação diversificada e o bicho criado ciscando, os ovos orgânicos tendem a ser de melhor qualidade do que os de granja, de acordo com o professor. “Galinha é onívora, e combate insetos. Quem mora em sítio gosta de galinha porque ela controla aranha e escorpião”, exemplifica. Luciano vê na sua criação mais do que autonomia: ele enxerga uma forma de vida diferente - mais equilibrada e possível. “Por que eu não posso ter um ganso em vez de um cachorro, para guardar minha casa?”

Galinhas, patos e gansos habitam a chácara
Foto: Alexandre Carvalho/ Fotoarena

Galinhas, patos e gansos habitam a chácara

Roça urbana
Não é preciso sair da cidade grande para ter uma “casa no campo”. O professor e biólogo Caio Saravalle divide uma casa, em São Paulo, onde mora com quatro amigos há um ano. Na horta, eles colocam em prática princípios de agroecologia e permacultura, sistemas de agricultura perfeitos para pequenos espaços urbanos.

O local tem cerca de 30 metros quadrados e supre a cozinha com brócolis, alface, rúcula, couve, banana, mexerica, hortelã, alecrim, arruda, manjericão, poejo, citronela, erva-doce, mandioca, feijão-de-corda, abóbora e tomate. “Salada, chás e temperos já não precisamos mais comprar. O próximo passo é termos produção suficiente para consumirmos verduras apenas de lá”, diz Caio.

Caio garante que a horta não toma tempo. “Organizamos de forma a ter o mínimo trabalho possível, dividindo entre duas ou três pessoas. Mexendo uma vez por semana, damos conta”, afirma. “Não tem que ficar todo dia carpindo.” Técnicas como cobrir o solo de folhas secas ou deixar para os insetos uma planta mais comida, como um “boi-de-piranha”, ajudam na manutenção.

Preservação de espécimes raros
A Casa do Alpendre, como é chamada a república, cultiva também um hábito caro aos “fazendeiros urbanos”: resgatar espécies que foram esquecidas ou que não possuam interesse comercial para as multinacionais de sementes. “Plantamos alguns alimentos muito ricos, mas não convencionais, como a bertalha, que é uma trepadeira com folhas comestíveis, ricas em cálcio e potássio, que vai muito bem em nosso clima”, afirma o biólogo.

Outro hábito é cultivar as próprias sementes. As de rúcula desse ano vêm dos pés do ano passado, e as de brócolis colhidas esse ano serão plantadas ano que vem. São as chamadas sementes “crioulas” ou “da paixão”, colhidas da horta para a estação seguinte. “Isso faz com que você selecione os pés mais adaptados ao clima e ao solo onde está plantando”, diz Caio.

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Uma das maiores especialistas na redescoberta de espécies que não frequentam as gôndolas de supermercado é a nutricionista Neide Rigo, autora do blog Come-se. No minúsculo quintal, ela contabiliza 53 espécies comestíveis, entre ervas, frutas, leguminosas e hortaliças. Com o tempo, ela descobriu quais gostam de sol, de sombra, de mais ou menos água e espaço. O feijão orelha-de-padre, por exemplo, se deu bem na parede lateral. “É pequeno, de trepadeira, perene, e produz bastante”, conta.

Ela trabalha agora numa horta comunitária, que está se formando aos poucos com a ajuda da vizinhança, numa praça próxima a sua casa. Até o momento, a praça já conta com pés de jaracatiá, cambuci, tamarindo, couve, mandioca, manjericão, palma, pimenta, amora, pêssego, araçá, abacate, butiá e caqui. “Eu não sei quem é, mas percebo que às vezes aparece alguém e planta alguma coisa nova”, conta Neide. Ela já fixou plaquinhas para indicar a horta, mas sumiram. “A prefeitura estraga com a poda. Colocam pessoas que não sabem diferenciar plantação de mato”, se queixa.

Neide não se furta a consumir também vegetais que acha na rua, como dente-de-leão, caruru, beldroega, seralha e pincel-de-estudante, que pouca gente sabe que são comestíveis. “Lavo, desinfeto e ‘nhac’! Com certeza é melhor do que as hortaliças cultivadas com agrotóxicos e irrigadas com água contaminada com esgoto, como acontece em alguns lugares do cinturão verde de São Paulo.”

Pomar na rua
Vizinha de Neide, a dentista Ana Cristina Campana, 42 anos, também põe a mão na terra. “A relação do paulistano com árvores é muito ruim. Ele encara como algo que suja a rua, estragam a calçada com as raízes, traz sujeira de passarinhos e cujas frutas estragam a pintura do carro”, afirma. “Acho mágico ver as plantas se transformando, ter flores, abelhas. As coisas acontecem todo dia.”

Para incentivar a discussão sobre a arborização da cidade, o ambientalista Ricardo Cardim criou o blog Árvores de São Paulo. “A cidade cresceu à custa do verde e está desesperada por se tornar verde de novo”, afirma. Ele é contra a lei municipal que proíbe o plantio de árvores frutíferas em espaços públicos. “Há diversas nativas com frutos saborosos adequadas para serem plantadas nas ruas, como o cambucá, cambuci, jabuticaba e cabeludinha, que dá até em vaso”, diz. Cardim ressalta que qualquer árvore traz benefício, mas as nativas devolvem a fauna original à cidade. “A partir das frutas, você começa a enriquecer a complexidade da cadeia alimentar. Em 1930, tínhamos o dobro de espécies de passarinhos na cidade do que hoje”, exemplifica. Pragas como pombos, ratos e baratas voltam a ter predadores naturais, como pássaros e aves de rapina.

Outro benefício que o ambientalista aponta é que esses pequenos pomares urbanos que começam a pipocar aqui e ali devolvem a cidade às pessoas, dando sombra, frutos e espaços de repouso. “Árvores têm um poder muito grande de conectar as pessoas e de sensibilizar os mais duros corações”, afirma. De acordo com o ambientalista, cada centímetro de cimento a menos ajuda a desafogar a cidade.