terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Saiu no jornal

Confira matéria publicada no caderno "Baixada" do jornal "O Dia" de 27 de dezembro.


Pequena ação, grande resultado
Medidas adotadas espontaneamente por grupos de moradores destacam a região no cenário ecológico

Na reserva El Nagual, Erhard Kalloch e a mulher, Mariana Devoto, convivem em harmonia com a natureza, cultivam produtos orgânicos e desenvolvem projetos ecológicos
(Foto: Paulo Alvadia/O Dia)

Em sintonia com a conferência sobre o clima, que reuniu líderes mundiais em Copenhague (Dinamarca), atitudes ecologicamente corretas estão em alta na Baixada Fluminense. Com grande parte cercada ou dentro de Áreas de Proteção Ambiental (APA), a região abriga reservas biológicas e possui vários parques municipais, como o da Serra do Vulcão, em Nova Iguaçu e Mesquita, e da Taquara, em Duque de Caxias. Destaque também para iniciativas de pequenos grupos que não fogem das responsabilidades para defender o meio ambiente no planeta.
Da criação de novos parques municipais, passando por coletas de lixo reciclável e destinação adequada para óleo de cozinha e pilhas velhas, são vários programas que demonstram iniciativas sustentáveis na região. Uma delas é a criação da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Encravadas no pé da Serra dos Órgãos, em Magé, e no entorno da Reserva Biológica do Tinguá, as pousadas El Nagual e Refúgio Ecotinguá, respectivamente, preservam juntas mais de 42 hectares de Mata Atlântica.
“De nada adianta discutir em Copenhague se não tomarem atitudes imediatas. Cada um de nós deve fazer sua parte”, afirma o alemão Erhard Kalloch, conhecido como Eraldo, que dirige a El Nagual junto à esposa, argentina.

Ambientes mantêm a harmonia da natureza
Ecologistas defendem a preservação do verde nas construções. Proprietários transformam grandes áreas em reservas para proteção da fauna e da flora da Baixada

Pousada em Tinguá construiu piscina, mas evitou causar danos à natureza do local
(Foto: Divulgação)
A harmonia entre lazer, atividade sustentável e preservação da natureza é a marca das propriedades que se transformaram em Reserva Particular de Proteção Natural (RPPN). O cenário da mata preservada faz parte dos atrativos artificiais como quartos, varandas e piscinas. O ambientalista Hélio Vanderlei, da ONG Onda Verde, explica que o proprietário não tem obrigação de fazer investimento, mas apenas preservar o que já existe.
“É um compromisso com a natureza e com o meio ambiente. Essa área fica congelada para sempre e ninguém pode mudar mais. Nem filhos, nem netos. É uma das maiores contribuições para quem quer um futuro melhor para o planeta”, afirma Hélio, acrescentando que, recentemente, uma propriedade de 3,5 hectares se tornou RPPN em Paracambi.
O casal Erhard Kalloch e Mariana Devoto, da pousada El Nagual, em Magé, além de preservar, investiu no reflorestamento da área, inclusive criando um pomar ao longo da estrada de acesso à pousada. A propriedade também possui um biodigestor, que transforma o esgoto em adubo, para horta orgânica, e combustível para oficina, onde desenvolve trabalhos ecológicos com a comunidade de Santo Aleixo.
O ex-jesuíta e economista belga Cristiano Camerman, da ONG Campo, que administra a Pousada Refúgio Eco Tinguá, diz que a opção de tornar uma propriedade particular em RPPN é radical e somente quem quer mesmo proteger a natureza opta por abrir mão dos direitos. Segundo ele, dos 25 hectares da propriedade, 75% são de mata, com fauna e flora protegidas:
“É bom manter esse pedaço de terra da maneira que está. Nos últimos seis anos percebi que o número de pássaros na região aumentou na região. A gente consegue ver tucanos, bem-te-vis, canários e coleiros. Há também sagüi, tatu, macaco e cobras”, diz.
Segundo o secretário de Meio Ambiente de Duque de Caxias, Samuel Maia, o cantor e compositor Zeca Pagodinho se interessou pelo tema durante um evento em Xerém, onde já morou e mantém um sítio. “Conversávamos sobre preservação da natureza com o Zeca, que sempre se mostrou interessado em proteger a área onde tem o sítio. Nos colocamos à disposição para ajudá-lo a criar uma RPPN“, afirma o secretário.
Zeca Pagodinho confirmou sua preocupação em preservar a natureza; no entanto, o cantor preferiu não tomar posição sobre a criação ou não da RPPN, até se aprofundar mais de detalhes sobre o assunto.
Região ganha duas novas áreas de proteção ambiental
Duas áreas de proteção ambiental foram criadas este ano na Baixada. A mais recente foi em Duque de Caxias, que oficializou a Reserva Biológica do Parque Eqüitativa. A área protegida possui 1,5 milhão de metros quadrados, que corresponde a 150 mil hectares de espécie nativas de Mata Atlântica. Será a primeira reserva biológica municipal da região.
Em Paracambi, será implantado o Parque Municipal do Curió, que leva o nome do passarinho, referência na cidade. Ocupará área de 913 hectares. O custo do parque será pago por uma empresa que deve compensação ambiental ao estado, que repassará o valor à Prefeitura.
Texto: Helvio Lessa/O Dia

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Boas Festas!

Desejamos um ótimo Natal,
cheio de alegrias e harmonia.
Que o próximo ano seja uma porta aberta para novos sonhos,
renovações de fé e muita paz para nosso mundo.
Agradecemos a todos os colaboradores que trabalharam conosco durante o ano e desejamos que continuemos com essa parceria em 2010. São os votos do Caxias Mais Verde

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Meio Ambiente vai contratar engenheiros e técnicos

Para atender a demanda no município, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Agricultura e Abastecimento de Duque de Caxias vai precisar de 74 profissionais de nível superior e técnico em 2010. A realização de concurso para contratação de pessoal já foi solicitada à Procuradoria-Geral do Município para apreciação. Os salários iniciais variam de R$ 972,44 para nível técnico e R$ 3.720 para os cargos de nível superior, todos com carga horária de 40 horas semanais.
A contratação pessoal especializado visa atender às necessidades do convênio firmado com a Secretaria Estadual de Ambiente para fiscalização e licenciamento. O edital do concurso, segundo o secretário de Meio Ambiente, Samuel Maia, deve sair ainda no primeiro semestre de 2010.
Serão oferecidas as seguintes vagas:
NÍVEL SUPERIOR
  • fiscal ambiental: 6 vagas
  • biólogo: 2 vagas
  • engenheiro florestal: 2 vagas
  • engenheiro sanitarista: 2 vagas
  • engenheiro químico: 2 vagas
  • geólogo: 1 vaga
  • pedagogo: 1 vaga
  • engenheiro civil: 2 vagas
NÍVEL MÉDIO
  • apicultor: 2 vagas
  • técnico ambiental: 4 vagas
Está prevista, ainda, a contratação de 10 técnicos (assessores) administrativos, 10 guardas ambientais e 30 técnicos agrícolas.

Texto: Paulo Gomes/Assessoria de Comunicação PMDC

sábado, 19 de dezembro de 2009

Cúpula de Copenhague acaba com texto mínimo, e ainda assim sem unanimidade

Presidência da COP15 anunciou apenas ter 'tomado nota' de documento. Arranjo foi duramente criticado por países como Venezuela, Cuba e Sudão


A cúpula da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP15), realizada em Copenhague, chegou a um "acordo de mínimos" hoje, ainda assim após superar a oposição de vários países e após um intenso debate que se prolongou durante toda a noite.
A Presidência da conferência anunciou que havia "tomado nota do acordo de Copenhague de 18 de dezembro de 2009", que incluirá uma lista dos países contrários ao texto.
O acordo de Copenhague contra o aquecimento climático, validado neste sábado, é uma etapa essencial para um futuro pacto, afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon. A ONU recorreu a essa fórmula para tornar operacional o acordo, que foi duramente criticado como ilegítimo por países como Venezuela, Nicarágua, Cuba, Bolívia e Sudão.
"Talvez não seja tudo o que esperávamos, mas essa decisão da conferência das partes é uma etapa essencial", declarou Ban à imprensa.
Para que pudesse se transformar em um acordo das Nações Unidas, o texto deveria ser adotado por unanimidade pelos 193 países presentes na conferência.

Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática (UNFCCC) durante coletiva de imprensa neste sábado (Foto: Olivier Morin/AFP)
O texto estava sendo negociado desde quinta-feira e foi fechado na sexta-feira pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Ele praticamente invadiu uma reunião com dirigentes de China, Índia, África do Sul e Brasil.
Trata-se de um acordo de mínimos, após o fracasso de 12 dias de negociações em Copenhague para conseguir um texto ambicioso que suceda o Protocolo de Kyoto, o único tratado que obriga 37 nações industrializadas a reduzir suas emissões de dióxido de carbono (c02) e outros cinco gases do efeito estufa.
O acordo, de caráter não vinculativo, está muito longe das expectativas geradas em torno da maior reunião sobre mudança climática da história, e não determina objetivos de redução de gases do efeito estufa.
No entanto, estabelece uma contribuição anual de US$ 10 bilhões entre 2010 e 2012 para que os países mais vulneráveis façam frente aos efeitos da mudança climática, e US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020 para a mitigação e adaptação. Parte do dinheiro, US$ 25,2 bilhões, virá de EUA, União Européia e Japão. Ninguém sabe quem vai bancar o resto.
Participante da COP15 deixa o Bella Center: ambientalistas qualificaram 'acordo' de traição (Foto: Attila Kisbenedek/AFP)
Este acordo, uma carta de intenções elaborada na véspera pelos chefes de Estado e de governo de 30 países industrializados, emergentes e em desenvolvimento, foi apresentado durante a madrugada ante o plenário da conferência.
Muitos países admitiram que o conteúdo do acordo é insuficiente , mas o aceitam como meio de fazer a negociação avançar.
Antes do anúncio do acordo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confessou sua frustração em relação às negociações e garantiu que o Brasil está disposto a fazer sacrifícios para financiar os países pobres.
"Vou dizer isso com franqueza e em público, o que não disse ainda em meu próprio país, que sequer disse a minha equipe aqui, que não foi apresentado nem diante de meu Congresso. Se for necessário fazer mais sacrifícios, o Brasil está disposto a colocar dinheiro para ajudar os outros países”, declarou. Mas o "acordo" que saiu é uma carta de intenções, com conteúdo mínimo, e mesmo assim sem consenso.
Fonte: G1, com agências (adaptado)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Opinião: COP15

Confira artigo publicado pela revista "Época" em 8 de dezembro.


Esperança ou decepção em Copenhague?
À velha e sincera esperança por um mundo melhor se contrapõe a desconfiança de que os países não superarão suas diferenças e a defesa de seus próprios interesses. A opinião da sociedade, nestes casos, muitas vezes é o que menos importa
Por Paulo Moutinho
A expectativa mundial sobre a 15ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague, tem sido um misto de esperança e decepção pré-anunciada. Por um lado, a velha e sincera esperança por um mundo melhor é depositada sobre um possível acordo duradouro e efetivo que reduza as emissões globais de gases que aquecem o planeta, brindando as próximas gerações com um pouco de responsabilidade e respeito. Por outro, a não menos velha desconfiança de que os países não superarão suas diferenças e a defesa de seus próprios interesses, sejam estes nacionais ou políticos. A opinião da sociedade, nestes casos, muitas vezes é o que menos importa.
Mas, então, o que esperar de Copenhague, além do já não tão frio inverno nórdico? Particularmente, acredito na esperança, na responsabilidade e respeito com aqueles que nos sucederão. Digo isto por alguns motivos básicos, em relação aos quais o Brasil e a sociedade brasileira têm um papel importante. Primeiro, o sentido de urgência hoje é muito maior do que aquele no passado e que permeou a negociação do Protocolo de Kyoto. As evidências dos impactos climáticos, especialmente sobre as economias dos países são muito mais fortes agora.
Em 2006, Nicholas Stern [ex-economista chefe do Banco Mundial] já anunciava uma potencial perda de muitos trilhões de dólares na economia mundial se ficássemos de braços cruzados sobre o assunto. Estudo recente estimou que o Brasil perderá US$ 2 trilhões até 2050 com os impactos econômicos da mudança climática sobre a agricultura, florestas e energia se seguirmos com a mesma trajetória de desenvolvimento carbono-intensiva e demandadora de desmatamento. Se servir de consolo, o mundo gastou vários trilhões para conter a recente crise financeira, mostrando que se quisermos combater a mudança do clima dinheiro pode não ser um problema intransponível.
Fico mais crente na esperança em Copenhague ao ver os recentes posicionamentos dos países sobre os esforços de redução de emissões, e o Brasil teve um papel importante neste caso. O país sempre encarou com reservas a questão de metas de redução de emissões para países em desenvolvimento, mas foi capaz de dar um salto e estabelecer uma meta para o desmatamento (80% de redução abaixo de uma média histórica – 19 500 km2 – até 2020), e, em seguida, uma meta nacional (aproximadamente 35% a 40% de redução sobre as emissões projetadas para 2020; em outras palavras, entre 15% a 17% abaixo das emissões de 2005).
Mesmo que voluntária e ainda insuficiente, a meta brasileira tem um potencial enorme de mudar o curso das negociações internacionais em Copenhague. Pela primeira vez um país em desenvolvimento e grande emissor assume um discurso que poderá derrubar o principal argumento dos países ricos para não fazerem mais do que já estão fazendo: que os países em desenvolvimento não querem assumir compromissos mais sérios de redução de emissões. Nos últimos anos, o Brasil já vinha dando sinais de mudança em sua posição sobre como tratar as emissões de carbono oriundas do desmatamento. Coincidência ou não, a reversão de posição conjunta da anunciada intenção americana e chinesa de expressar em Copenhague somente pretensões políticas de redução pode ter sido um resultado do constrangimento provocado por iniciativas como as do Brasil que, sem ser obrigatório, assumiu metas voluntárias.
É também interessante notar a timidez e a cautela com que os governos apresentam quando o assunto são as metas de redução de emissões. O medo de que reduzir emissões levará a uma redução de crescimento econômico é evidente. Não foi diferente no Brasil. A discussão sobre as metas brasileiras sobre o quanto o país poderia reduzir de emissões mostrou o receio do governo de que as metas anunciadas prejudicariam o crescimento do PIB.
Aparentemente, a falsa ideia de que não será possível crescer economicamente no futuro a não ser através do atual modelo carbono (fóssil) intensivo ainda é arraigada nos governantes. Desconsidera-se totalmente o fato de que um crescimento econômico futuro vigoroso num mundo aquecido, se dará em países que tomarem as decisões certas hoje: conservação de florestas, desenvolvimento tecnológico de energias limpas e renováveis, uma indústria e agricultura sustentáveis e ambientalmente amigáveis e um destino mais nobre ao petróleo. Esquecem-se ainda que decisões em favor da conservação das florestas brasileiras, da redução do desmatamento, combinado com a redução de emissões de outros setores (transporte e energia) representa um tipo de poupança ou investimento de longo prazo.
Aquilo que parece ter um custo econômico elevado hoje representa prevenção de grandes prejuízos econômicos no futuro, advindos da mudança do clima. O que quero dizer é que parte significativa do crescimento futuro do PIB do Brasil poderá ser resultante da uma economia de baixo carbono que decidirmos implementar hoje. Em Copenhague estarão sendo debatidos os mecanismos de Redução de Emissões de Desmatamento e Degradação florestal (o tal REDD), do qual o Brasil poderá se beneficiar economicamente. Com metas e aproveitando bem o que o REDD poderá oferecer em termos de compensação pelos esforços de redução do desmatamento, o Brasil poderá entrar na nova década na vanguarda da economia de baixo carbono. Só depende de nós brasileiros.
Paulo Moutinho é doutor em Ecologia,
coordenador do Programa de Mudanças Climáticas do IPAM e
pesquisador associado do Woods Hole Research Center
Os artigos publicados não expressam necessariamente a opinião do Caxias Mais Verde

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Balão mostra o tamanho de uma tonelada de CO2 na atmosfera

Cada brasileiro é responsável por dois balões desse em emissões de gases do efeito estufa a cada ano; já um americano emite 20

Um balão instalado perto da sede da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague, mostra o espaço ocupado por uma tonelada de gás carbônico na atmosfera.
Segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE) referentes a 2006, um brasileiro emite aproximadamente o equivalente a dois desses balões, enquanto um americano emite quase 20.
Essa discrepância é o que faz os países em desenvolvimento argumentarem que o principal montante do financiamento das ações de combate e adaptação ao efeito estufa deve vir das nações ricas.

Texto e foto: Dennis Barbosa/G1

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Nova turma de guardas ambientais mirins se forma em solenidade em Santa Cruz da Serra


Alunas exibem certificado de guarda florestal mirim

Foi realizada nesta terça-feira a solenidade de formatura da segunda turma de 2009 da Guarda Ambiental Mirim, projeto realizado pela Secretaria de Meio Ambiente, Agricultura e Abastecimento de Duque de Caxias em parceria com a Secretaria de Educação. Familiares, amigos e convidados participaram do evento, presenciado por aproximadamente 500 pessoas que foram prestigiar os formandos e que lotaram as dependências do Clube Miragem, em Santa Cruz da Serra.
Os formandos participaram de toda a solenidade, obedecendo aos comandos de saudação e com um número musical, o “Xote ecológico”. O aluno Jorge Henrique Santos, da comunidade do entorno do Parque da Taquara, fez o juramento, e os agradecimentos foram feitos pela aluna Brenda Moreira Siqueira, da Escola Municipal Francisco Barbosa Leite. Após a entrega dos diplomas, os alunos homenagearam toda a equipe do projeto, que também recebeu seus certificados.

O diretor do Parque da Taquara, Marlos Campos, posa entre formandos


Formandos fazem juramento


Secretário Samuel Maia entrega certificado


Subsecretário João Santana também participou da solenidade

A mesa foi composta pelo secretário municipal de Meio Ambiente, Agricultura e Abastecimento, Samuel Maia; subsecretário João Santana; diretor do Parque Natural Municipal da Taquara, Marlos Campos; secretária de Cultura e Turismo, Ana Jensen; diretor de Turismo, Daniel Eugenio; chefe dos Escoteiros, Antônio Waldeck; e o representante da Secretaria de Educação, Gustavo Arantes. A equipe do projeto conta com as coordenadoras Katty Pereira e Sheila Camargo, os professores Fernando Rocha do Amaral e Geralci Lopes dos Santos, o mateiro Célio da Conceição e os monitores Paulo Nunes, Henrique e Walcir.


Samuel Maia fala durante solenidade


Autoridades presentes à solenidade e coordenadoras do projeto

Desenvolvido no Parque da Taquara, a Guarda Ambiental Mirim atende a 120 crianças e adolescentes de 7 a 14 anos de idade. Durante o curso, os alunos receberam noções de preservação do meio ambiente e cidadania e que agora se tornam multiplicadoras desses conhecimentos em suas comunidades.
Neste semestre, o projeto teve participação de oito escolas do terceiro distrito de Duque de Caxias: Escola Municipal Almirante Tamandaré, Escola Municipal Carmem Corrêa, Escola Municipal Carmem Lúcia Alvim, Escola Municipal Carlos Drummond de Andrade, Escola Municipal Francisco Barbosa Leite, Escola Municipal Marechal Floriano Peixoto, Escola Municipal Paulo Rodrigues e Escola Municipal Rotary.


A Escola Municipal Marechal Floriano Peixoto participou do projeto com 12 alunos

Texto e fotos: Willy Rangel

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Civilizações varridas pelo desequilíbrio ambiental são alerta sobre ameaça climática

A História traz lições que não devem ignoradas num momento em que 192 países se reúnem para discutir formas de combater o aquecimento global, em Copenhague. Mudanças climáticas muito menores e mais localizadas do que as que ameaçam o mundo agora já varreram culturas do mapa outras vezes no passado. Acredita-se que a falta de capacidade de enfrentar desequilíbrios ambientais tenha sido fator determinante para o declínio da civilização maia e o fim dos vikings da Groenlândia, do povo nazca, do Peru, e dos rapa nui, os primeiros colonizadores da ilha de Páscoa.
Visão aérea de linhas feitas pela civilização nazca, do Peru:
corte descontrolado de árvores expôs agricultura à fúria do El Niño
Coordenador do Laboratório de História e Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, José Augusto Pádua explica que povos que já estavam no limite simplesmente não conseguiram enfrentar alterações em seu mundo. O clima não os eliminou de uma só vez, mas foi fator determinante num processo de declínio.
Sombras da destruição
Quando os espanhóis chegaram, por exemplo, os maias já não eram mais uma civilização poderosa, mas uma cultura fragmentada, sequer uma sombra de seu passado. Estudos indicam que um violento El Niño teria sido o golpe final numa civilização que já havia esgotado a maioria dos recursos naturais que propiciaram seu desenvolvimento.
“Ocorreu acentuada queda demográfica”, pondera Pádua. “As grandes cidades e construções, como pirâmides, foram abandonadas, e os sobreviventes voltaram-se para organizações menores”, acrescenta.
Ruínas maias de Tikal, Guatemala: vegetação existente hoje no local
cresceu após a decadência da civilização
A civilização maia habitou os atuais territórios de México, Guatemala, Belize e Honduras por cerca de 3.500 mil anos, e desapareceu pouco antes da chegada dos europeus. Os maias desenvolveram refinada astronomia, um calendário de 365 dias, escrita por hieróglifos e um sistema matemático. Mais isso não foi suficiente para que sobrevivessem como cultura. Foram vítimas da destruição da floresta e de um crescimento demasiado da população. O El Niño teria sido a gota d’água.
“A concepção de uma cidade maia é parecida com a de hoje: existiam espaços livres, bairros com estradas entre eles e sistema de captação de água”, conta Alexandre Navarro, da Universidade Federal do Maranhão, que estuda a cultura maia. “O desmatamento, porém, foi intenso. Não havia casas em meio à floresta tropical, porque a mata foi totalmente devastada. As florestas que hoje cercam os sítios arqueológicos maias são secundárias, não foi a floresta conhecida por aquela civilização”.
Amostras de pólen datadas por pesquisadores mostram que, no período final dos maias, dos anos 600 a 850, a quantidade de árvores na região era praticamente nula. Neste período, segundo Navarro, a temperatura da região aumentou até 4°C. O último registro conhecido daquela civilização é de 909. À época, diversas cidades já tinham sido abandonadas.
“Só conseguiram sobreviver por mais tempo as cidades próximas aos lagos, que lidaram em melhores condições com a seca e estavam integradas a uma rota de comércio a longa distância”, assinala o pesquisador. “Mas até os lagos ficaram esgotados, assim como o solo, graças à prática de queimadas na agricultura”.
O destino dos rapa nui da ilha de Páscoa conta uma história parecida. De tão remota, a ilha foi a última do Pacífico a ser conquistada pelos polinésios. A dois mil quilômetros da Polinésia e a uma distância ainda maior da América do Sul, a ilha se tornou cenário de devastação ambiental. E sua cultura desmoronou em meados do século XV, menos de 600 anos depois da chegada do homem. Acredita-se que na época existisse uma população de 20 mil pessoas.
Devastação na ilha de Páscoa
Conhecida hoje por suas estátuas gigantes, de até 20 metros, a ilha de Páscoa foi cenário de um dos maiores desmatamentos já documentados. Em 1722, quando o explorador holandês Jacob Roggeveen chegou à ilha, não havia árvores com mais de três metros de altura. A exposição da terra ao vento e à chuva acelerou o processo de erosão e inviabilizou a agricultura. Os campos de cultivo foram tão prejudicados que, em determinado momento, só teria restado ao povo rapa nui apelar para o canibalismo, segundo algumas fontes.
Os chefes tribais foram derrubados e houve uma sucessão de guerras. Segundo o historiador alemão Wolfgang Behringer, autor do livro “A história cultural do clima”, a ilha de Páscoa era habitada por menos de 200 pessoas no final do século XIX.
“Há ainda polêmica sobre o desaparecimento dos rapa nui”, alerta. “Pesquisas indicam a erosão do solo como uma das causas da redução dramática da população. Mas um outra catástrofe natural pode ter contribuído para o desaparecimento desse povo”.
As estátuas da ilha de Páscoa, no Pacífico:
tudo o que sobrou após o desastre ambiental
Na costa oeste da América do Sul, uma briga contra as forças da natureza pôs fim à cultura nazca. Dela, ficaram as linhas famosas em todo o mundo. Um estudo publicado na revista “Latin American Antiquity” em novembro afirma que 1.400 anos atrás, um El Niño especialmente violento causou enormes danos a um povo que havia destruído sua única defesa contra o clima desértico da região.
Os nazca desmataram intensamente o território onde viviam e deixaram o solo vulnerável à erosão. O El Niño trouxe enxurradas e depois, seca. E então esse povo viu suas plantações darem lugar ao deserto.
Vikings perderam briga com geleiras
Também na hoje totalmente gelada Groenlândia há vestígios do que o mau uso do solo e as mudanças naturais do clima podem fazer. Quando os colonizadores vikings chegaram à Groenlândia, no fim do primeiro milênio da era cristã, a ilha tinha terras verdes e férteis. Após cerca de quatro séculos, porém, o tempo esfriou e as geleiras (que hoje retrocedem) avançaram. O mar se fechou de gelo e o clima se tornou frio demais para permitir a agricultura. A navegação, meio de vida daquele povo, tornou-se impraticável.
Os vikings foram expulsos da Groenlândia porque a mudança do clima acentuou o problema que eles mesmos criaram ao destruir a vegetação natural, cortando as árvores para construir casas e embarcações. Os animais domésticos não permitiam que as plantas se regenerassem, e onde havia floresta sobraram apenas pastagens.
“Houve deficiência daquela sociedade em avaliar o risco de permanecer ali, mesmo com os crescentes riscos ambientais, inclusive a instabilidade geológica”, avalia Pádua.
Em seu livro, Wolfgang Behringer destaca também a região do Deserto do Saara, que, por volta do século VII a.C., teria sido fértil. Análises de pólen indicam que existia vegetação mediterrânea naquela região, favorecendo o surgimento da pecuária e a criação de gado. Quando o clima mudou e se tornou árido, os povos que ali viviam tiveram que se mudar. Behringer diz que agora o desafio é maior, pois a ação do home acrescenta um fator extra de mudança ao regime climático da Terra.
“Hoje verificamos algo que nunca existiu antes: o aumento da temperatura provocado pela liberação de gases do efeito estufa”, explica Behringer. “Quando passarmos por uma época de aquecimento natural, provocada, por exemplo, por mudanças na atividade solar, o aumento da temperatura será mais intenso”, completa.
Behringer não descarta a possibilidade de que, em pleno século XXI, civilizações desapareçam em consequência das mudanças climáticas.
“É mais fácil superarmos essas transformações com o desenvolvimento de novas tecnologias. Mas não estamos a salvo de catástrofes naturais”, diz o pesquisador alemão.
Texto: Renato Grandelle/O Globo
Colaboração: Graça Magalhães-Ruether/O Globo
Fotos: internet