domingo, 12 de junho de 2011

Ditadura Militar e Religião

| N° Edição: 2170 | 10.Jun.11 - 21:00 | Atualizado em 12.Jun.11 - 11:39

Os evangélicos e a ditadura militar

Documentos inéditos do projeto Brasil: Nunca Mais - até agora guardados no Exterior - chegam ao País e podem jogar luz sobre o comportamento dos evangélicos nos anos de chumbo

Rodrigo Cardoso

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No primeiro dia foram oito horas de torturas patrocinadas por sete militares. Pau de arara, choque elétrico, cadeira do dragão e insultos, na tentativa de lhe quebrar a resistência física e moral. “Eu tinha muito medo do que ia sentir na pele, mas principalmente de não suportar e falar. Queriam que eu desse o nome de todos os meus amigos, endereços... Eu dizia: ‘Não posso fazer isso.’ Como eu poderia trazê-los para passar pelo que eu estava passando?” Foram mais de 20 dias de torturas a partir de 28 de fevereiro de 1970, nos porões do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), em São Paulo. O estudante de ciências sociais da Universidade de São Paulo (USP) Anivaldo Pereira Padilha, da Igreja Metodista do bairro da Luz, tinha 29 anos quando foi preso pelo temido órgão do Exército. Lá chegou a pensar em suicídio, com medo de trair os companheiros de igreja que comungavam de sua sede por justiça social. Mas o mineiro acredita piamente que conseguiu manter o silêncio, apesar das atrocidades que sofreu no corpo franzino, por causa da fé. A mesma crença que o manteve calado e o conduziu, depois de dez meses preso, para um exílio de 13 anos em países como Uruguai, Suíça e Estados Unidos levou vários evangélicos a colaborar com a máquina repressora da ditadura. Delatando irmãos de igreja, promovendo eventos em favor dos militares e até torturando. Os primeiros eram ecumênicos e promoviam ações sociais e os segundos eram herméticos e lutavam contra a ameaça comunista. Padilha foi um entre muitos que tombaram pelas mãos de religiosos protestantes.

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O metodista só descobriu quem foram seus delatores há cinco anos, quando teve acesso a documentos do antigo Sistema Nacional de Informações: os irmãos José Sucasas Jr. e Isaías Fernandes Sucasas, pastor e bispo da Igreja Metodista, já falecidos, aos quais era subordinado em São Paulo. “Eu acreditava ser impossível que alguém que se dedica a ser padre ou pastor, cuja função é proteger suas ovelhas, pudesse dedurar alguém”, diz Padilha, que não chegou a se surpreender com a descoberta. “Seis meses antes de ser preso, achei na mesa do pastor José Sucasas uma carteirinha de informante do Dops”, afirma o altivo senhor de 71 anos, quatro filhos, entre eles Alexandre, atual ministro da Saúde da Presidência de Dilma Rousseff, que ele só conheceu aos 8 anos de idade. Padilha teve de deixar o País quando sua então mulher estava grávida do ministro. Grande parte dessa história será revolvida a partir da terça-feira 14, quando, na Procuradoria Regional da República, em São Paulo, acontecerá a repatriação das cópias do material do projeto Brasil: Nunca Mais. Maior registro histórico sobre a repressão e a tortura na ditadura militar (leia quadro na pág. 79), o material, nos anos 80, foi enviado para o Conselho Mundial de Igrejas (CMI), organização ecumênica com sede em Genebra, na Suíça, e para o Center for Research Libraries, em Chicago (EUA), como precaução, caso os documentos que serviam de base do trabalho realizado no Brasil caíssem nas mãos dos militares. De Chicago, virá um milhão de páginas microfilmadas referentes a depoimentos de presos nas auditorias militares, nomes de torturadores e tipos de tortura. A cereja do bolo, porém, chegará de Genebra – um material inédito composto por dez mil páginas com troca de correspondências entre o reverendo presbiteriano Jaime Wright (1927 – 1999) e o cardeal-arcebispo emérito de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, que estavam à frente do Brasil: Nunca Mais, e as conversas que eles mantinham com o CMI.

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Somente em 1968, quatro anos após a ascensão dos militares ao poder, o catolicismo começou a se distanciar daquele papel que tradicionalmente lhe cabia na legitimação da ordem político-econômica estabelecida. Foi aí, quando no Brasil religiosos dominicanos como Frei Betto passaram a ser perseguidos, que a Igreja assumiu posturas contrárias às ditaduras na maioria dos países latino-americanos. Os protestantes, por sua vez, antes mesmo de 1964, viveram uma espécie de golpe endógeno em suas denominações, perseguindo a juventude que caminhava na contramão da ortodoxia teológica. Em novembro de 1963, quatro meses antes de o marechal Humberto Castelo Branco assumir a Presidência, o líder batista carismático Enéas Tognini convocou milhares de evangélicos para um dia nacional de oração e jejum, para que Deus salvasse o País do perigo comunista. Aos 97 anos, o pastor Tognini segue acreditando que Deus, além de brasileiro, se tornou um anticomunista simpático ao movimento militar golpista. “Não me arrependo (de ter se alinhado ao discurso dos militares). Eles fizeram um bom trabalho, salvaram a Pátria do comunismo”, diz.

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Assim, foi no exercício de sua fé que os evangélicos – que colaboraram ou foram perseguidos pelo regime – entraram na alça de mira dos militares (leia a movimentação histórica dos protestantes à pág. 80). Enquanto líderes conservadores propagavam o discurso da Guerra Fria em torno do medo do comunismo nos templos e recrutavam formadores de opinião, jovens batistas, metodistas e presbiterianos, principalmente, com ideias liberais eram interrogados, presos, torturados e mortos. “Fui expulso, com mais oito colegas, do Seminário Presbiteriano de Campinas, em 1962, porque o nosso discurso teológico de salvação das almas passava pela ética e a preocupação social”, diz o mineiro Zwinglio Mota Dias, 70 anos, pastor emérito da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, da Penha, no Rio de Janeiro. Antigo membro do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (Cedi), que promovia reuniões para, entre outras ações, trocar informações sobre os companheiros que estavam sendo perseguidos, ele passou quase um mês preso no Doi-Codi carioca, em 1971. “Levei um pescoção, me ameaçavam mostrando gente torturada e davam choques em pessoas na minha frente”, conta o irmão do também presbiteriano Ivan Mota, preso e desaparecido desde 1971. Hoje professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, Dias lembra que, enquanto estava no Doi-Codi, militares enviaram observadores para a sua igreja, para analisar o comportamento dos fiéis.

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Segundo Rubem Cesar Fernandes, 68 anos, antropólogo de origem presbiteriana, preso em 1962, antes do golpe, por participar de movimentos estudantis, os evangélicos carregam uma mancha em sua história por convidar a repressão a entrar na Igreja e perseguir os fiéis. “Os católicos não fizeram isso. Não é justificável usar o poder militar para prender irmãos”, diz ele, considerado “elemento perigoso” no templo que frequentava em Niterói (RJ). “Pastores fizeram uma lista com 40 nomes e entregaram aos militares. Um almirante que vivia na igreja achava que tinha o dever de me prender. Não me encontrou porque eu estava escondido e, depois, fui para o exílio”, conta o hoje diretor da ONG Viva Rio.

O protestantismo histórico no Brasil também registra um alto grau de envolvimento de suas lideranças com a repressão. Em sua tese de pós-graduação, defendida na Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), Daniel Augusto Schmidt teve acesso ao diário do irmão de José, um dos delatores de Anivaldo Padilha, o bispo Isaías. Na folha relativa a 25 de março de 1969, o líder metodista escreveu: “Eu e o reverendo Sucasas fomos até o quartel do Dops. Conseguimos o que queríamos, de maneira que recebemos o documento que nos habilita aos serviços secretos dessa organização nacional da alta polícia do Brasil.” Dono de uma empresa de consultoria em Porto Alegre, Isaías Sucasas Jr., 69 anos, desconhecia a história da prisão de Padilha e não acredita que seu pai fora informante do Dops. “Como o papai iria mentir se o cara fosse comunista? Isso não é delatar, mas uma resposta correta a uma pergunta feita a ele por autoridades”, diz. “Nunca o papai iria dedar um membro da igreja, se soubesse que havia essas coisas (torturas).” Em 28 de agosto de 1969, um exemplar da primeira edição do jornal “Unidade III”, editado pelo pai do ministro da Saúde, foi encaminhado ao Dops. Na primeira página, há uma anotação: “É preciso ‘apertar’ os jovens que respondem por este jornal e exigir a documentação de seu registro porque é de âmbito nacional e subversivo.” Sobrinho do pastor José, o advogado José Sucasas Hubaix, que mora em Além Paraíba (MG), conta que defendeu muitos perseguidos políticos durante a ditadura e não sabia que o tio havia delatado um metodista. “Estou decepcionado. Sabia que alguns evangélicos não faziam oposição aos militares, mas daí a entregar um irmão de fé é uma grande diferença.”

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Nenhum religioso, porém, parece superar a obediência canina ao regime militar do pastor batista Roberto Pontuschka, capelão do Exército que à noite torturava os presos e de dia visitava celas distribuindo o “Novo Testamento”. O teólogo Leonildo Silveira Campos, que era seminarista na Igreja Presbiteriana Independente e ficou dez dias encarcerado nas dependências da Operação Bandeirante (Oban), em São Paulo, em 1969, não esquece o modus operandi de Pontuschka. “Um dia bateram na cela: ‘Quem é o seminarista que está aqui?’”, conta ele, 21 anos à época. “De terno e gravata, ele se apresentou como capelão e disse que trazia uma “Bíblia” para eu ler para os comunistas f.d.p. e tentar converter alguém.” O capelão chegou a ser questionado por um encarcerado se não tinha vergonha de torturar e tentar evangelizar. Como resposta, o pastor batista afirmou, apontando para uma pistola debaixo do paletó: “Para os que desejam se converter, eu tenho a palavra de Deus. Para quem não quiser, há outras alternativas.” Segundo o professor Maurício Nacib Pontuschka, da Pontifícia Universidade Católica (PUC), de São Paulo, seu tio, o pastor-torturador, está vivo, mas os dois não têm contato. O sobrinho também não tinha conhecimento das histórias escabrosas do parente. “É assustador. Abomino tortura, vai contra tudo o que ensino no dia a dia”, afirma. “É triste ficar sabendo que um familiar fez coisas horríveis como essa.”

Professor de sociologia da religião na Umesp, Campos, 64 anos, tem uma marca de queimadura no polegar e no indicador da mão esquerda produzida por descargas elétricas. “Enrolavam fios na nossa mão e descarregavam eletricidade”, conta. Uma carta escrita por ele a um amigo, na qual relata a sua participação em movimentos estudantis, o levou à prisão. “Fui acordado à 1h por uma metralhadora encostada na barriga.” Solto por falta de provas, foi tachado de subversivo e perdeu o emprego em um banco. A assistente social e professora aposentada Tomiko Born, 79 anos, ligada a movimentos estudantis cristãos, também acredita que pode ter sido demitida por conta de sua ideologia. Em meados dos anos 60, Tomiko, que pertencia à Igreja Evangélica Holiness do Brasil, fundada pelo pai dela e outros imigrantes japoneses, participou de algumas reuniões ecumênicas no Exterior. Em 1970, de volta ao Brasil, foi acusada de pertencer a movimentos subversivos internacionais pelo presidente da Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor, onde trabalhava. Não foi presa, mas conviveu com o fantasma do aparelho repressor. “Meu pesadelo era que o meu nome estivesse no caderninho de endereço de alguma pessoa presa”, conta.

Parte da história desses cristãos aterrissará no Brasil na terça-feira 14, emaranhada no mais de um milhão de páginas do Projeto Brasil: Nunca Mais repatriadas pelo Conselho Mundial de Igrejas. Não que algum deles tenha conseguido esquecer, durante um dia sequer, aqueles anos tão intensos, de picos de utopia e desespero, sustentados pela fé que muitos ainda nutrem. Para seguir em frente, Anivaldo Padilha trilhou o caminho do perdão – tanto dos delatores quanto dos torturadores. Em 1983, ele encontrou um de seus torturadores em um baile de Carnaval. “Você quis me matar, seu f.d.p., mas eu estou vivo aqui”, pensou, antes de virar as costas. Enquanto o mineiro, que colabora com uma entidade ecumênica focada na defesa de direitos, cutuca suas memórias, uma lágrima desce do lado direito de seu rosto e, depois de enxuta, dá vez para outra, no esquerdo. Um choro tão contido e vívido quanto suas lembranças e sua dor.

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| N° Edição: 2170 | 10.Jun.11 - 21:00 | Atualizado em 12.Jun.11 - 11:39

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quinta-feira, 9 de junho de 2011

ARTIGO CIENTÍFICO ANALISA GESTÃO PÚBLICA AMBIENTAL DE DUQUE DE CAXIAS





















O município de Duque de Caxias: entre a proteção do meio ambiente e uma economia sustentável.

Professora Doutora Lucia Silva – UFRRJ


Membro do IHGRJ

O município foi criado em 1944, e hoje conta com uma área total de 468,3 quilômetros quadrados, correspondentes a 10% da área da Região Metropolitana, possui infraestrura como o sistema viário e ferroviário, em função de sua vizinhança à cidade do Rio de Janeiro, ainda que tenha baixo padrão de urbanização. Atualmente em Duque de Caxias há 7 agências de correios, 36 agências bancárias e 25 estabelecimentos hoteleiros. Quanto aos equipamentos culturais, o município dispõe de 5 cinemas, 4 teatros, 2 museus e 6 bibliotecas públicas para uma população de quase 900 mil habitantes. O município apresenta duas realidades: uma que o coloca entre os últimos em educação (88 entre 91) ao mesmo tempo em que fica com o 2 lugar em referencia a Emprego e Renda. Estas duas realidades não ficam restritas as áreas sociais, adentrando ao meio ambiente, que apesar do bom desempenho da secretaria de Meio Ambiente, coexistem no município dois passivos ambientais REDUC e o lixão de Gramacho. Este trabalho analisará a atuação da secretaria de meio ambiente nos últimos anos na tentativa de garantir o equilíbrio entre sustentabilidade econômica e meio ambiente.


Palavras chaves: meio ambiente, política Duque de Caxias



Introdução


Caxias faz parte da região metropolitana do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminnese. Região metropolitana e baixada são dois conceitos diferentes para ler realidades que ocupam o mesmo espaço. O conceito região metropolitana, cujo pressuposto é o fato social e econômico que se assenta na dinâmica da metrópole, esta vista como pólo de atração e/ou dominação de um grande espaço de produção e consumo (MOREIRA in CARMO 2007) tem como contrapartida a existência da periferia; já Baixada foi um termo que surgiu no último quartel do século XIX associado aos projetos de saneamento. O nome que mais tarde viraria conceito, na medida em que serve para dar inteligibilidade a uma realidade, está intimamente ligado à expansão das linhas férreas e aos projetos de saneamento promovidos pelo governo federal, que efetivamente possibilitaram que grande parte do solo pudesse ser apropriada pelos grupos sociais existentes na região.


O termo Baixada foi popularizado pelo outro, ou seja, por aqueles que não eram do lugar para designar uma determinada região com imagens negativas; embora a população migrante que chegou ao lugar tenha transformado em seu, não como conceito único, mas como campo de muitas possibilidades.


Ainda como parte da região metropolitana, Caxias tem um papel importante, mas secundário, na medida em que a metrópole atrai a centralidade da política e da economia. Enquanto membro deste conjunto de municípios está em excelente posição, pois só não supera o PIB e a geração de renda e emprego da capital. Mas, essa riqueza não significa melhor distribuição de renda e nem se traduz em melhoria na educação e na saúde. Município com desenvolvimento econômico compatível às maiores cidades do Brasil, aliás, ela própria é um dos maiores centros urbanos do país é vista como periferia e pejorativamente como Baixada.

Em relação ao meio ambiente, Caxias a partir do levantamento de 2001, tinha sua área distribuída da seguinte maneira: 27% de floresta nativa, 8% de vegetação secundária, 40% de área urbana, 14% de pastagens e 11% de área degradada. Dentro desta configuração ambiental apontava-se para a existência de várias ilhas de florestas – mata atlântica, dentro do município, sendo necessária a construção de uma política que fizesse interligação entre estas ilhas, pois o reflorestamento dos segmentos de ilhas uniria os fragmentos de floresta já margeados pela vegetação secundária transformando-se então em eixos conectores denominados de corredores. Os corredores além de viabilizar a troca genética entre as populações das ilhas, possibilitariam a integração dos fragmentos numa mancha contínua, alavancando a capacidade de suporte da biodiversidade regional, já fragilizada. Em 2001, Duque de Caxias precisaria implantar 721 hectares de corredores ecológicos, o que representaria 1,5% da área total do município.


Caxias e a questão social do meio ambiente.


Caxias tem uma mancha urbana que abriga praticamente 95% dos 855.048 habitantes, nos 295.258 domicílios, mas que conta com apenas 73.205 unidades domiciliares servidas por rede de esgotos e 76. 725 por rede de abastecimento de água. A questão ambiental em Caxias passa também por construção de um sistema de água e esgoto, além da preservação das áreas verdes.


Os dois itens sempre presentes na agenda do meio ambiente positivam a discussão ambiental local, ocupando os muitos profissionais dedicados à preservação do meio ambiente e ao saneamento. Tidos como complementares, os dois não se completam em si mesmos, pois pensar o meio ambiente de Caxias significa ir além da preservação das matas nativas ou da ampliação da estrutura urbana deficitária, na medida em que existe uma economia que se desenvolve em torno da questão ambiental e extrapola a esfera da preservação, ainda que gire em torno dela. Aqui serão apresentados dois exemplos de como o verde, ou seja, o meio ambiente movimenta o desenvolvimento econômico e social do município.


O primeiro exemplo está relacionado ao maior passivo ambiental do município, a REDUC. A refinaria tem participado da vida do município de diversas maneiras para compensar a degradação que causa a cidade. Uma das formas é o reflorestamento que promove no Parque Natural Municipal da Caixa D’água, em Jardim Primavera, no segundo distrito de Duque de Caxias. Através da Habtec está reflorestando, com 8 mil mudas de árvores nativas da Mata Atlântica, uma área de 4,9 hectares.


Além de investir diretamente na preservação ambiental, a REDUC, nos últimos dez anos, financiou a construção das instalações do complexo cultural Oscar Niemeyer (teatro Raul Cortez e Biblioteca), e a futura universidade municipal de Duque de Caxias em Santa Cruz da Serra, em convênio com a UERJ. Os dois empreendimentos juntos contabilizam mais de 80 milhões de reais.


A atuação da REDUC em Caxias pode ser vista também na construção do posto de saúde municipal de Campos Elíseos (bairro onde se localiza a sua planta industrial) e no financiamento de estudo de educação ambiental feita pela PUC para a região. A política compensatória da empresa permite que ela opere em vários segmentos da vida da cidade sem que de fato atue e dialogue diretamente com o município, pois sua atuação na área da preservação passa pelo INEA, a futura universidade em parceria com a UERJ, o estudo com uma universidade particular.


A injeção de recurso promovida pela REDUC tem um impacto no desenvolvimento econômico-social e cultural do município, mas por ser uma intervenção difusa, em várias esferas da vida da cidade, as instâncias municipais têm pouca ingerência, principalmente a secretaria de meio ambiente (existente desde 1992), órgão que deveria acompanhar de perto as ações compensatórias de empresas que degradam o meio ambiente.


Por outro lado, a própria secretaria tem conseguido angariar novos recursos por meio do icms verde. É o segundo exemplo de como o meio ambiente pode movimentar o desenvolvimento econômico e social do município, criando inclusive recursos para além do orçamento advindo da prefeitura. Duque de Caxias, nos últimos dois anos vem investindo na preservação do meio ambiente, vai ter direito, por conta disto, a R$ 1,3 milhão do icms ecológico.


Recebem ICMS Verde, as prefeituras que investem na manutenção de florestas, de mananciais de abastecimento público de água e no tratamento de lixo. Caxias nesta gestão tem promovido um conjunto de ações em relação ao meio ambiente que pode vir a se constituir como uma política de estado e não como atuação pontual de uma gestão. Neste conjunto, a reativação do Conselho Municipal do Meio Ambiente foi um importante passo para a criação de novas leis que efetivamente garantam a normatização da exploração de minerais, do controle dos níveis de todo tipo de poluição e a criação de áreas de preservação ambiental (APAs) dentro do município.


Ao lado de ações de longa duração como a reativação do Conselho Municipal e a existência do Fundo Municipal do Meio Ambiente, a secretaria nos últimos dois anos atuou de maneira a contemplar a legislação e a organizar a administração de forma ágil, em sintonia com as demandas específicas do meio ambiente. A novidade da secretaria é não ficar restrita a preservação. Ao lado de ações como a criação da Reserva Biológica Municipal do Parque Eqüitativa, exemplo injunção direta na preservação do meio ambiente, a secretaria está participando ativamente do fechamento do aterro sanitário da Comlurb no Jardim Gramacho. O reconhecimento destas ações reverteu-se no aumento do icms ecológico.


Para a cidade foi um importante passo na preservação ambiental a desativação do lixão de Gramacho, que por mais de 30 anos transformou-se na lixeira do Rio de Janeiro. É importante ressaltar que o lixão foi criado no período de Ditadura Militar, sem a anuência municipal.


A desativação está sendo feita pelo Estado, pois os dois maiores passivos ambientais do município estão fora da ingerência da prefeitura: o lixão (que é da Comlurb da prefeitura do Rio de Janeiro) e a Reduc (da Petrobrás, órgão do governo federal). Ao lado da desativação promovida pelo Estado, a prefeitura está implantando a coleta seletiva em todos os órgãos municipais, o que já acontece nos bairros Olavo Bilac, Gramacho, Jardim Leal e sub-bairros do primeiro distrito, onde os resíduos sólidos são destinados às cooperativas do Jardim Gramacho.


Neste caso, a desativação do lixão não está sendo pensada como desarticulação de uma comunidade que vive do lixo, mas na consolidação de uma nova economia (que espero a comunidade não fique alijada deste processo e que faça parte de um setor importante dentro da nova estrutura produtiva), afinal a indústria da reciclagem hoje movimenta mais de 3 bilhões dólares no Brasil anualmente.


Gramacho hoje é uma tragédia social e ambiental e sua desativação transformar-se á em outra tragédia, desta vez anunciada. É necessário garantir trabalho e renda para oito mil pessoas que vivem de algo que vai acabar. O município de Duque de Caxias não pode arcar sozinho com uma solução. Ainda que pense em implantar um sistema de coleta seletiva de porta a porta em todo o município, que seria feita pelos catadores, não daria para alocar as 2 mil pessoas que hoje vivem diretamente do lixão. Soluções em nível municipal estão sendo pensadas, mas elas sozinhas não dão conta da realidade complexa que envolve o lixão. A coleta seletiva de resíduos sólidos e de óleo comestível tem sido feita em alguns bairros, mas só isto não resolve o que fazer com a população que sobrevive da reciclagem, o município vai depender de muitas parcerias para o aproveitamento dessas pessoas em outros setores da esfera produtiva.


Uma idéia desenvolvida pelo governo do Estado é tornar atrativa às grandes redes de supermercado (que não são do município), a separação do lixo reciclável e a sua entrega as cooperativas do bairro Jardim Gramacho, sem cobrar nada por isso. Além de aumentar a quantidade de material para os catadores, a iniciativa reduziria um grande problema, que é o lixo extraordinário, aquele ilegal colocado pelos supermercados no entorno do lixão legal da Comlurb.


Voltando ao inicio e dando conta que a proteção do meio ambiente passa pelo desenvolvimento de uma economia sustentável, e a resolução de problemas como a de Carla Simone dos Santos, 27 anos, dezenove deles passados no lixão de Gramacho e no seu entorno. Tem três filhos, sem instrução, é especialista em separação de garrafas PET e plástico fino do lixo comum. Não tem outro tipo de habilidade profissional, porque os problemas de saúde causados neste trabalho a afastaram dos bicos de costureira. Ela procura emprego, embora tenha uma especialidade, que deveria lhe garantir um lugar no mercado de trabalho, afinal a reciclagem do lixo/coleta seletiva é uma importante peça na engrenagem da preservação ambiental do meio urbano.


Ela sobrevive em um município com um dos maiores PIB do país, principalmente pela existência da REDUC, empresa poluente, mas que ocupa 52 lugar em IDH no estado (de 92), porque a maioria da população não é servida de rede de água e esgoto e muito menos de um sistema de saúde. A mancha urbana, que hoje ocupa 40% da área foi fruto da ocupação desordenada e os alagamentos em época de chuva são produtos da falta de planejamento de período anteriores. É nesta estrutura que se deve pensar uma economia que não agrida o meio ambiente e faça a comunidade prosperar.


Hoje a atuação da secretaria de meio ambiente de Caxias, até pela formação de seu secretário, tem clareza que o meio ambiente não deve ser descolado da sociedade que o usufrui, mas essa consciência não garante que suas ações deixem de ser pontuais, isto é, apenas de sua gestão. A secretaria deve ter compromisso com a construção de uma política de estado que preserve tanto a Carla e seus filhos quanto o meio ambiente que os cerca. O que se deve preservar em ultima instancia são as pessoas, e isto passa pela promoção de desenvolvimento econômico sustentável, no qual a secretaria tem importante papel, não gerando recurso, mas fiscalizando. Talvez quando isto acontecer, o município deixe de ser visto pejorativamente como Baixada Fluminense e periferia da região metropolitana do Rio de Janeiro para ser apenas Duque de Caxias, lugar às margens da baia de Guanabara e próximo da capital.



CARMO, Sílvia de Castro Bacelar. Baixada santista: câmara e agenda 21. Disponível em: www.metro.santos.sp.gov.br/regiaometropolitana. Acessado em agosto de 2007.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Escolas de Duque de Caxias promovem consciência Ambiental

Semana do Meio Ambiente agita escolas em Caxias

A Secretaria Municipal de Educação em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente e outros parceiros, promoverá, até o dia 16 de junho, a Semana do Meio Ambiente de Duque de Caxias, que tem o objetivo de promover ações educativas que visem sensibilizar alunos, pais e a comunidade para os problemas socioambientais do município. A iniciativa contará com a participação de alunos, professores e familiares e pretende mostrar a importância de mudanças de hábitos e atitudes para o desenvolvimento de uma consciência ambiental.

Os alunos participaram de diversas brincadeiras no evento

O evento, que teve início no dia 1º de junho, foi aberto com ações realizadas simultaneamente nas unidades escolares da rede municipal, tendo como parceiros a empresa Grande Rio Reciclagem Ambiental, que há 35 anos desenvolve um trabalho de recolhimento e reciclagem de resíduos de origem animal e vegetal. Com apoio do Batalhão de Polícia Florestal e Meio Ambiente da Polícia Militar, foram montados estandes com painéis e outros materiais para divulgação do tema. A iniciativa contou com apoio da rádio Beat 98, que esteve presente na Escola Municipal Monteiro Lobato e os locutores interagiram com os alunos sobre a questão ambiental. Durante a programação, foram distribuídos brindes ao vivo.

Já os alunos das Escolas Municipais Oswaldo Cruz, Maria José de Oliveira, Santa Terezinha e Todos os Santos assistiram a uma palestra com exposição de répteis, ministrada pelo biólogo Rubens Ferreira. Especializado em serpentes, o biólogo falou sobre os diversos tipos de cobras existentes no Brasil. Ferreira destacou a importância do respeito ao habitat natural dos animais, que devem ser preservados por uma questão de equilíbrio ecológico. Fascinados com o assunto, os alunos fizeram diversas perguntas e aproveitaram a aula de ciências diferenciada e interativa para conhecer uma jibóia levada por ele ao evento.

O pessoal da rádio Beat 98 deu o tom das comemorações

Enquanto isso, outras unidades escolares promoveram oficinas com jogos socioambientais, com distribuição de mudas de plantas e kits de produtos de limpeza biodegradáveis, entre outras atividades. Até o dia 16 de junho, serão promovidas várias ações, entre elas uma peça teatral sobre a preservação das florestas, que acontecerá na Escola Municipal José Medeiros Cabral, no bairro Jardim Gramacho, iniciativa esta do SESC/Duque de Caxias.

Criado pela ONU em 1972, o Dia Mundial do Meio Ambiente é celebrado no dia 5 de junho. Este ano, o tema “Seu planeta precisa de você: Unidos contra as mudanças climáticas” aborda as questões do aquecimento global e a importância da preservação das florestas e de outros recursos naturais, como fatores primordiais para o equilíbrio do Planeta.



Texto: Mariângela Sampaio e Nelson Soares

Fotos: Antônio Carlos Oliveira - SME


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Em Duque de Caxias, Plantando Vende

Agricultores de Xerém vendem produtos em Shopping

Pequenos agricultores de Xerém, no quarto distrito de Duque de Caxias, participaram nesse domingo, 5 de junho, das comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente com uma iniciativa inédita na cidade. Graças a uma parceria entre a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agricultura e o Caxias Shopping, eles expuseram e venderam seus produtos no hall do shopping, surpreendendo os milhares de freqüentadores do espaço comercial. A iniciativa foi tão bem recebida que, em pouco mais de duas horas, restaram poucos produtos sobre as bancas para a felicidade dos produtores.

Antônio e Maria Tereza compraram abacaxi produzido em Xerém

Entre os produtos oferecidos, frutas, palmitos, legumes e até peixes ornamentais. Nenhum dos produtos recebeu qualquer tipo de inseticida, o que foi muito comemorado pelos compradores. Segundo o produtor Sérgio Aguiar, que vendera quase todas as 80 embalagens de goiaba que trouxera de sua propriedade, no bairro Tabuleiro. “Mais importante do que vender é divulgar nosso produto, que é orgânico e cultivado com todo carinho”, destacou o produtor Sérgio Aguiar, que vendera quase todas as 80 embalagens de goiaba que trouxera de sua propriedade, no bairro Tabuleiro.

Sérgio Aguiar (dir.) vendeu quase 80 embalagens de goiaba

Surpresa também foi o sentimento do casal Antônio Oliveira, 48 anos, e Maria Tereza Felga, 53 anos, moradores do Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Eles compraram abacaxi na banca da agricultora Delgina Teodoro Vieira, que trabalha com a filha Maria das Graças Vieira. “Esta ideia foi tão boa que precisa ser levada a outras regiões. Uma grande originalidade, a montagem de uma feira num shopping”, observou Antônio, que passou no local para almoçar, depois de voltar de Petrópolis com Maria Tereza.

Samuel cumprimenta os agricultores "Chumbo" e Marlene

Além de alimentos, a feira também ofereceu várias espécies de peixes ornamentais, como Japonês, Carpa, Pacu e Carás, para delírio das crianças e adultos. O dono dos peixes, o criador Marcos André Narciso Baptista, 34 anos, contou que iniciou o negócio criando Tilápias, em 2007, mas, sem orientação, teve prejuízos e optou pelas espécies ornamentais, que cultiva em 14 tanques. “Agora, estou no caminho certo e já estou montando um laboratório para reprodução de alevinos”, contou Marcos, que já tem clientes em vários municípios.

Marcos André, criador de peixes ornamentais no Capivari

Na feira, Marcos André dividiu o espaço com o vizinho e também criador de peixes ornamentais, Eduardo Gálio, 39 anos, para quem a qualidade da água tem importância fundamental no negócio. “De acordo com as análises que solicitamos, a água de nossa região é semelhante a da Amazônia”, explicou o criador.



Texto: Nelson Soares

Fotos: Everton Barsan


O Dia de Ambiente Arretado de BOM!

Show de Sergival anima público no Caxias Shopping

O Dia Mundial do Meio Ambiente teve uma comemoração especial, no Caxias Shopping, no domingo, 5 de junho, com um show do cantor Sergival, um dos grandes expoentes da música nordestina da atualidade. Numa apresentação contagiante, o cantor lembrou compositores como Luís Gonzaga, Humberto Teixeira, além de apresentar canções de sua autoria que fizeram o público aplaudir com entusiasmo. A iniciativa aconteceu graças a uma parceria entre o Caxias Shopping e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agricultura de Duque de Caxias (SMAAA), que promoveu, também, uma feira de agricultura no local.

Sergival e seu "jeguinho" em apresentação do Caxias Shopping

A apresentação, que começou às 18 horas, na praça de alimentação, chamou a atenção do público. Usando os tradicionais chapéus de couro nordestino, lenços vermelhos em volta do pescoço e muita descontração, Sergival e seu grupo fizeram a alegria da plateia. Explorando e apresentando utensílios como o caçuá, potes de cerâmica e outros apetrechos, inclusive os musicais, o grupo foi a sensação da noite.

Nas canções apresentadas, como não poderia deixar de ser, muitas tinham referência com a ecologia, embora a palavra ainda não estivesse em evidência quando foram compostas. Uma delas, “Xote ecológico”, foi composta pelo rei do baião, Luiz Gonzaga, em homenagem ao líder seringueiro Chico Mendes, assassinado numa emboscada em Xapuri, no Acre, em 1988. As outras foram a emblemática “Assúm Preto” e “Asa Branca”, parceria entre Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.

Ainda com o "jeguinho" com a platéia na praça de alimentação

Mas o cantor também apresentou canções de sua autoria, como “As Coisas do Caçuá” e “Puxe o Fole”, entres de encerrar com uma dança de quadrilha, onde o calor do público substituiu perfeitamente a fogueira, na praça de alimentação. Entre os presentes, secretários municipais, vereadores, poetas da literatura de cordel e centenas de pessoas se divertindo e conhecendo um pouco mais da cultura nordestina.

Nascido no estado de Sergipe, o cantor contou que está no Rio há cinco anos. Ele disse ter ficado encantado com a receptividade do público duquecaxiense e que, se for possível, fará outras apresentações na cidade. Sergival elogiou a iniciativa da Prefeitura, de levar para o shopping um evento que trata a questão cultural e ambiental.

“A cultura é uma grande ferramenta para se tratar das questões ambientais e é bom lembrar que nós, seres humanos, também fazemos parte da natureza”, observou o Sergival, que se apresenta no próximo dia 18 de junho, no Clube dos Empregados da Petrobras, na Barra da Tijuca, e retorna ao Nordeste, dia 20, para uma série de apresentações.

O cantor, com Samuel Maia, agradeceu a recepção do povo

Para o secretário de Meio Ambiente, Samuel Maia, a data foi comemorada em grande estilo. “Promovemos uma feira agropecuária com produtores da cidade, um show com grande cunho ecológico, além de discutir o fim da operação do aterro do Jardim Gramacho”, declarou Maia.



Texto: Nelson Soares

Fotos: Everton Barsan